10 ideias para uma Curitiba inovadora

FIEP projeta a Curitiba de 2030

Nada de carros voadores, robôs trabalhadores ou cidade suspensa. A Curitiba do futuro será muito mais simples do que isso, mas não menos inovadora. No fim de 2008, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) lançou o projeto Curitiba 2030, uma iniciativa cujo o objetivo é projetar o destino da capital do Paraná.

Ao todo, são 60 ações em quatros eixos estruturantes: Educação, Sustentabilidade, Tecnologia e Cidadania Plena. Entre as ações, todas elaboradas por associações, sindicatos, poder público e terceiro setor, estão à implementação de anéis tarifários no transporte público, promoção do uso de tecnologias “limpas” e criação de mecanismos de sustentabilidade econômica para o tratamento de resíduos.

De acordo com Fabiana Cristina de Campos Skrobot, gestora do projeto Curitiba 2030, empresas inovadoras se desenvolvem em ambientes inovadores. Dessa forma, empresas inovadoras sustentáveis precisam de ambientes inovadores sustentáveis. “Nossa proposta é pensar o desenvolvimento sustentável da cidade”, conta.

Na opinião da gestora, Curitiba pode ser um grande celeiro de inovação. “É uma cidade com muito potencial”, diz. Com as propostas do Curitiba 2030 formulada, o projeto entra na fase de articulação para execução das propostas. “Estamos articulando o cumprimento das ações com poder público, indústria, sociedade. Com todos os atores envolvidos”, revela (Gabriel Azevedo).

Ao longo de muitos anos, referir-se a Curitiba trazia à cabeça, invariavelmente, um adjetivo: a capital já foi a moderna, a universitária, a ecológica, a limpa e a civilizada. Por trás dos diversos atributos colecionados pela cidade nos seus 319 anos há uma única essência, a busca pela inovação. O transporte público e os programas de reciclagem de lixo foram iniciativas ousadas que trouxeram fama e notoriedade.

Entretanto, nos últimos anos, a capacidade de projetar o novo se perdeu ou se desvirtuou. Para estimular novamente o espírito criativo da cidade, a Gazeta do Povo ouviu especialistas de cinco áreas e selecionou dez projetos que, se adotados, poderiam transformar a realidade da capital paranaense. Afinal, a inovação impulsiona os curitibanos desde 1693.

1 – Conectada

Seguir o exemplo de Seul, na Coreia do Sul, onde a prefeitura instalou antenas de wi-fi em 360 parques, 3,2 mil cruzamentos e 2,2 mil ruas em torno de centros comerciais seria uma das inovações mais radicais que a cidade poderia fazer, segundo a blogueira Bia Kunze, autora do blog Garota Sem Fio. Na opinião dela, além de ser uma enorme contribuição para a educação, a internet gratuita e sem fio resolveria muitos problemas de serviço. “Tudo pode ser feito pela internet, da retirada de documentos a boletins de ocorrência. Isso diminuiria as filas”, diz.

Ela defende que a prefeitura comece oferecendo a conexão livre em espaços estratégicos. “A inovação poderia começar pelas bibliotecas públicas, escolas municipais, praças e parques”, diz.

2 – Talentosa

Criar um conceito de educação facilitaria o descobrimento e o desenvolvimento de novos talentos. Para o consultor educacional Renato Casagrande, um projeto que descobrisse alunos talentosos e suas habilidades, oferecendo a eles acompanhamento de mentores de diferentes áreas do conhecimento seria um projeto e tanto para a cidade. A iniciativa deveria envolver o poder público, empresas e a sociedade civil e teria como foco o ensino infantil em escolas públicas. Para desenvolver e ampliar as habilidades, o aluno seria submetido a treinamentos. “Além das disciplinas escolares, ele teria contato com cultura geral, curso de línguas e lógica. Ele ampliaria a visão de mundo”, conta. “No futuro, seriam eles quem iriam desenvolver as inovações para Curitiba”, garante.

3 – Saudável

Trocar o pé de moleque por maçã, cerveja por suco de mamão, coxinha por salada. A ideia da coordenadora de Nutrição da Universidade Tuiuti do Paraná, Priscila Dabaghi Barbosa, para tornar a cidade mais saudável é proibir a comercialização de doces, frituras e álcool em espaços públicos, como parques e terminais de transporte coletivo. Ela também defende a proibição do consumo de cigarros nesses locais. Para a professora, Curitiba seria pioneira ao adotar tais medidas. “Em vez de beber cerveja, as pessoas beberiam suco nos parques. Com incentivo, seriam criados quiosques com frutas no centro, nos parques e nas ruas”, diz.

4 – Descentralizada

Apontada por urbanistas como uma das possíveis soluções para o problema de trânsito da capital brasileira mais motorizada do país, a descentralização é uma alternativa viável para evitar que os moradores do Cabral, Xaxim e Jardim Social tenham de se deslocar todos os dias, ao mesmo tempo, para o centro da cidade.

Com a formação de pequenos centros em diversas regiões de Curitiba, que ofereçam um conjunto de serviços e oportunidades (comerciais, culturais, de lazer, de trabalho, de saúde, serviços públicos), os grandes deslocamentos de carro tornariam-se desnecessários. Para André Caon, que também é presidente da Sociedad Peatonal – uma ONG de defesa dos pedestres –, a criação de uma Curitiba polinuclear favoreceria a caminhabilidade.

5 – Integrada

Implantado em 2003, o sistema de bilhetagem eletrônica de Curitiba poderia ser muito mais inovador do que apenas um cartão eletrônico que armazena créditos de passagens a serem usados na Rede Integrada de Transporte. Ele poderia ser usado para a integração temporal. De acordo com engenheiro eletricista André Caon, coordenador do Fórum de Mobilidade Urbana de Curitiba, após pagar a passagem, o cartão-transporte de Curitiba poderia ficar habilitado por 120 minutos. “Nesse período, o usuário poderia viajar sem precisar ir aos terminais de ônibus, encurtando a viagem, reduzindo a superlotação de ônibus e terminais e gerando economia ao sistema”, diz. Atualmente, a integração temporal beneficia apenas 600 pessoas, no Santa Quitéria e Vila São Pedro, na Linha Verde.

6 – Pontual

Fazer com que os doentes crônicos se conscientizem de tomar os medicamentos todos os dias tem efeitos tanto na saúde desses pacientes quanto nos gastos públicos. Segundo o médico infectologista José Luís Andrade Neto, professor da UFPR e da PUCPR, a busca ativa poderia ajudar a resolver esse problema. Equipes técnicas monitorariam todos os doentes crônicos e identificariam quem toma ou não o remédio. Na busca ativa, os suspeitos de não estar tomando os medicamentos direito seriam visitados por técnicos. “O profissional verificaria a cartela e assistiria a tomada do remédio”, diz.

7 – Monitorada

Para atingir a paz no trânsito, uma ideia seria colocar em uso um equipamento já utilizado em algumas cidades brasileiras, a ViaPK – um veículo com tecnologias de fiscalização e monitoramento eletrônico. Essa pode ser uma solução para evitar mortes e vítimas de acidentes na capital paranaense. O equipamento tem um sistema de leitura automática das placas de veículos em movimento, que permite identificar carros com débitos de IPVA, licenciamento e multas, além daqueles roubados e clonados. De acordo com o analista de sistemas e gestor de produtos da Perkons, Ricardo Simões, esse sistema permite realizar blitze abordando apenas os carros com aqueles problemas. “Fiscalização rápida e eficaz”, diz.

8 – Segura

Inovação não implica apenas a utilização de tecnologias avançadas e ideias futuristas. Muitas vezes o mais eficaz é algo simples e criativo. Em Curitiba, 15 ruas em sete bairros têm sirenes, que são acionadas, por controle remoto, quando há a suspeita de um delito. A iniciativa derrubou os índices de criminalidade nesses locais. De acordo com o delegado Rafael Vianna, autor do livro Diálogos Sobre Segurança Pública, iniciativas como a instalação de sirenes são inovadoras, e podem resolver o problema da segurança. “Esses projetos estimulam as pessoas a pensarem sobre segurança, a descobrirem as fragilidades do seu bairro e rua. E nada pode ser feito se não houver a união da vizinhança”, explica.

9 – Econômica

Embora seja notoriamente conhecida por seu tempo nublado, Curitiba poderia ser a primeira do Brasil, e uma das poucas do mundo, a ter a maioria das residências, prédios públicos, praças, estações-tubo, abastecidos por energia solar. A iniciativa já foi adotada no Parque Barigui. De acordo com Hewerton Martins, presidente da Solar Energy, empresa que desenvolve projetos e produtos vinculados aos sistemas solares fotovoltaicos, energia solar é o futuro, e a cidade seria inovadora se adotasse um modelo mais “limpo” e renovável e que, segundo ele, está cada vez mais barato.

10 – Preservada

Reservar espaços urbanos para o meio ambiente e criar um corredor de biodiversidade, integrando parques e reservas ambientais. Com o avanço do mercado imobiliário, as áreas verdes de Curitiba, aos poucos, têm sido reduzidas. Para a capital inovar, diz Terezinha Vareschi, vice-presidente da Associação dos Protetores de Áreas Verdes de Curitiba, é necessário criar Reservas Particulares do Patrimônio Natural Municipal (RPPNMs). Ela diz que os proprietários das áreas verdes têm pouco conhecimento sobre o assunto e a contrapartida do poder público não é suficiente. “Só o potencial construtivo não vai convencer os proprietários a criarem reservas”, diz. Segundo Terezinha, Curitiba tem 700 áreas verdes que poderiam ser transformadas em RPPNMs.

 + www.cidadesinovadoras.org.br / www.gazetadopovo.com.br

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Publicado en Gobernanza

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